Mas é que você faz isso tão bem. É como se o meu corpo fosse teu. Um brinquedo que você monta e desmonta, vai mexendo nos parafusinhos, fuçando peça por peça, sem nem precisar ler o manual. Sei lá, não me pergunte como consegui dar essa desaparecida. Quando estava de pé queria ficar sentado, quando me sentava precisava levantar. É como dirigir à noite numa rua deserta e toda esburacada. Uma agonia doida. Um vazio. Uma vontade de sair da própria pele e telefonar, só pra te ouvir falando suas monossílabas pra dentro. Talvez resistisse mais, assinando uma tevê com mais canais ou engordando a geladeira. Mas eu só deitava e esperava. Se eu resolver outra vez ficar longe, pelo menos espero que me dê um bom motivo. Faz isso por mim? Digo, se for pra dar errado, você pode me fazer o favor de ferrar com tudo de uma vez? Me sinto ridículo escrevendo essa carta. Eu saí tanto de mim pra entrar na tua que até me sinto um estranho dentro de mim mesmo. Gabito Nunes.  

 
Sim, concluí : é possível um homem mudar de verdade.
Os eventos desse ano me ensinaram diversas coisas sobre mim mesmo, além de algumas verdades universais. Aprendi que, apesar de ser fácil magoar quem amamos, é bem difícil fechar essas feridas. Mas o processo de cura dessas mágoas me proporcionou a experiência mais rica que já tive na vida, levando-me a acreditar que, embora eu tenha estabelecido expectativas altas demais para ser alcançadas em um único dia, menosprezei o que seria capaz de fazer ao longo de um ano. Acima de tudo aprendi que é possível que duas pessoas se apaixonem outra vez, mesmo quando existe entre elas uma vida inteira de decepções. Nicholas Sparks.  

 
Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos? Eu me chamo Antônio    

 
Estou naqueles dias clichês, precisando ouvir eu te amo, sentir um abraço apertado, ver um olhar sincero e compreensivo. Estou precisando de alguém que me faça sentir alguém, sério, sem drama. É que minhas noites têm sido tão frias e minhas manhas tão dolorosas, tudo isso porque aqueles “amigos” se foram, muitas pessoas partiram. E eu fiquei. Fiquei precisando ouvir apenas um “Vai ficar tudo bem, estou ao teu lado”. Mas acho que isso é querer demais. Jô Costa.  

 
Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore; Se não conseguir chorar, não se preocupe; Se tiver vontade de rir, ria; Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão; Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me; Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam; Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo… E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: “Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto!” Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu. Ser seu amigo, já é um pedaço dele… Chico Xavier.   

 
Tem gente que acha que faz falta, e de fato, admito que faz um pouco. Mas logo passa. Algumas pessoas acham que eu não vivo sem elas; acham que me tem na mão, inteiramente delas. Ah, por favor, vamos criar consciência de que ninguém é suficiente pra ninguém aqui. Eu sou suficiente pra mim mesma, e isso é o que importa. O resto, ou faz transbordar ou faz faltar. Alugue Felicidade. 

 
Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então eu voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa e ela, um furacão. Quem é você, Alasca? 

 
Eu gosto do seu modo doido de ver as coisas, da sua maluquice inconsequente, dos seus domingos sem parentesco com segundas-feiras. Você é tão jovem, tão brisa, tão sadia. Eu gostaria de ser assim também. Porque enquanto você pensa em transar, eu só sei ter medo de pegar alguma doença, de ser surpreendido por uma dupla de assaltantes, do breque desengatar e a gente só parar no pilar de um quiosque. Metade do nosso tempo juntos eu ocupo errando, e a outra metade tentando me redimir. Você pertence àquele grupo de pessoas que quando são pegas de surpresa por um temporal, caminham na chuva levemente com a ponta dos pés e purificam suas almas. Eu apenas sou diagnosticado com pneumonia e preciso de antibióticos de amplo espectro. Às vezes eu queria estar na tua pele. O verão já vai chegar e eu ainda estou na posição inverno. Gabito Nunes  

 
Se você quer alguém rastejando atrás de você, sugiro esquecer ter me conhecido e comprar uma iguana ou algo assim. Se tem uma coisa que eu sei nesse mundo é de mim. Me conheço. No meu corpo tem cromossomos de uma zebra africana. Estou sempre fugindo dos leões. Algumas pessoas escolhem ser livres. Outras não têm chance de escolha, apenas são. E nunca mudam, mesmo que queiram. É uma questão de fase: paixão não revelada é paixão morta, amor não demonstrado é amor morto. Só mais uns dias e pronto. Estarei oficialmente no limbo, na liberdade anestésica de absolutamente nada sentir. Gabito Nunes

 
Eu sou a minha melhor crítica, e também a mais severa. Sei o que é bom e o que não é. Uma pessoa que não escreva, não sabe o quanto é maravilhoso; eu costumava lamentar me por não saber desenhar, mas agora estou cheia de alegria por, ao menos saber escrever. E, se não tiver talento para escrever livros ou artigos de jornal, posso escrever só para mim. Mas quero mais que isso. Não me imagino ser igual aquelas mulheres que trabalham, e são esquecidas. Preciso de ter mais alguma coisa a que me dedicar. Não quero ter vivido em vão como as outras pessoas. Quero ser útil para as pessoas, mesmo aquelas que não conheci. Quero continuar a viver depois da morte! E é por isso que estou tão grata a Deus por me ter dado este dom que posso usar para me exprimir tudo o que esta dentro de mim. O Diário de Anne Frank. 

 
Um dia você deixou escapar que sentia vergonha por nunca ter lido um clássico. Eu fiquei vermelho, confesso!, mas admiti que não dava tanta importância aos livros importantes. Achávamos chato qualquer livro com mais de 256 páginas e 12 personagens, lembra? Guerra e Paz ainda espera nossos olhos. Se depender da nossa vontade, Moscou morrerá de frio. E, com todo respeito, que se foda Napoleão. Dom Quixote ainda tenta chamar a nossa atenção com aqueles moinhos gigantes. Sancho tem um nome fofo. Meu cachorro teria esse nome. Se fosse um bulldog, claro!. E, pra mim, Cervantes será sempre um restaurante em Copacabana não um livro de bacana! E você ri. E eu também! E a gente se beija. Ah, e eu não me esqueço daquele silêncio homérico quando confessei que não li Ilíada e não entendi porra nenhuma da Odisseia. Prefiro mil vezes o Stanley mandando gregos e troianos fantasiados de macaco pro espaço. Desculpa os palavrões. Se eu me envergonho? Um pouco, confesso. Mas eu li o poema que você escreveu pra mim quando nem sonhávamos em sonhar em estar juntos um dia – se é que já estivemos juntos um dia. E aqueles versos bobos talvez sejam a coisa mais linda que li até hoje. Neruda que me perdoe. Quintana que me desculpe. Drummond que não me julgue. Aquele seu poema é o único clássico que tem espaço cativo e afetivo na minha estante: entre a Liberdade, de Franzen, e o Eu Hei-de Amar uma Pedra, de Lobo Antunes. E é lido todos os dias desde o dia que não nos vimos mais. Quando leio: “Amado, Antônio, o mundo é tão estúpido que as pessoas precisam amar.” Eu tremo. Quando releio “Antônio, amado, o mundo é tão estúpido que eu não posso te amar“. Eu choro. E essa fala ainda reverbera nitidamente feito berro silencioso nos meus tímpanos de menino. Eu ouço a sua voz declamar cada verso, como se fosse rasgar minha memória. E rasga. Um dia você deixou escapar que sentia vergonha por nunca ter lido um clássico. Eu tenho vergonha dos que nunca leram um poema seu. Eu me chamo Antônio 

 
Conheço pessoas que não têm ciúme. E admiro, admiro mesmo. Já ouvi falar que ciúme é sinal de insegurança, que ciúme é imaturidade, que ciúme é bobagem. Já ouvi dizer que ciúme é prova de amor. Olha, eu não sei definir o que é o ciúme, só sei dizer que a gente fica meio cega, meio burra, meio surda e fala muita besteira. E depois se arrepende. Acho que um pouquinho de ciúme é saudável. Clarissa Corrêa. 

 
Eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: Ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema? Tati Bernardi.